quinta-feira, 14 de abril de 2016

Capitulo IX



-Fred? Você está dormindo?
Foi quando percebi que havia adormecido, e pela primeira vem em bastante tempo não tive nenhum sonho ou pesadelo com o passado.
-Não mais.
-Hum.
O silencio percorria a sala, eu sabia que precisávamos muito conversar, eu havia acabado de descobrir que tinha uma filha.. Uma menininha, de três anos, que esse tempo todo cresceu sem um pai. Senti a raiva me percorrer e senti que precisava tomar um ar, sozinho.


Sai do apartamento sem falar nada para Alice, me sentei em frente ao condomínio e comecei a pensar. Eu tenho uma filha há três anos, e Alice não pensou em vir me contar. Entendo que ela tenha seus problemas pessoais mas isso não é motivo para esconder isso de mim, se eu soubesse nunca teria ido embora, teria enfrentado todo o mundo para poder cuidar delas... Minha vida seria diferente se eu não tivesse fugido.


Marianne parecia ser uma criança encantadora, então senti a raiva por um instante tomar conta de mim; eu não conheço minha própria filha direito. Não sei qual foi sua primeira palavra nem seus primeiros passos, na verdade, eu nem se quer ei que dia ela nasceu. Eu estava com raiva de mim, mas estava com mais raiva ainda de Alice.


Por mais que a raiva tomasse conta de mim sabia que agora eu tinha duas pessoas para cuidar. Quando pedi para Alice vir embora comigo assumi a responsabilidade por ela, e sobre Marianne, ela é minha filha, e mesmo que nem ela mesma saiba disso eu me recuso a ser um pai ausente. Subi De volta para meu apartamento, hesitando um pouco entrar, mas sabia que eu não poderia fugir novamente como a alguns anos atrás.


E la estavam elas. Alice brincava com Marianne que ria de forma divertida. Quando a ouvi rindo meu coração acelerou, e senti um calor confortável... Como eu ja podia me sentir assim sendo que nao havia nem a pego no colo mais de uma vez?


Quando ela me viu caminhou ate mim e pediu meu colo, me agachei e sorri para ela. Ela tinha olhos lindos, azuis como de Alice porem com um tom de verde, como os meus, seus cabelos eram claros, porem não chegavam a ser loiros como os da mãe, na verdade ela tinha exatamente a mesma cor de cabelo que eu tinha na idade dela, e seu sorriso foi a coisa mais meiga que já vi em todos meus anos de vida.


 -Ela gosta de você.
-Eu quero contar para ela, Alice.
-Temos prioridades mais importantes no momento, Fred.
-Alice a essa altura seu marido já sabe que vocês fugiram.
-Precisamos sair daqui, o apartamento esta em seu nome?- Fiz que sim com a cabeça, e ela continuou. – Será o primeiro lugar que meu pai vira me procurar, ele não e bobo. Precisamos de um lugar aleatório.
-Eu não tenho ideia de onde podemos ir.


-Um lugar que eu não precise usar meus cartões de credito e nem você os seus, se não logo ele vai nos achar também.
-Seu pai é meio possessivo, não?
-Você não tem ideia do que ele é capaz de fazer para tirar Mari de mim. Ele a usa para que eu faça todas as vontades dele.


Quando tentei a questionar o porque de tudo isso, Alice me cortou;
-Já sei, eu tenho um amigo que tem um lugar bem longe, meu pai nunca me ouviu falar dele então não ira atrás dele. É uma fazenda, um tipo de chácara, não deve nem sequer ter sinal por lá. É o lugar perfeito.
-Claro, mas e depois Alice? O que faremos? Não podemos nos esconder pelo resto de nossas vidas.
-Depois veremos o que vamos fazer, agora minha prioridade é esconder Marianne antes que ele a tire de mim e faça ela passar tudo que eu passei na minha infância e adolescência.


Ela ligou para seu amigo, Chistopher Luter, um ricaço dono de metade do mundo e mais um pouco, pelo que eu entendi, em instantes de conversa ele topou deixar uma de suas propriedades agrícolas conosco, disse que podíamos ir a hora que quiséssemos e as portas estariam abertas e que passaria lá para dar as boas vindas.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Capitulo VIII



Foram duas horas e meia de viagem totalmente silenciosas, Mari dormiu o caminho todo, e quando chegamos eu ainda não acreditava no que estava acontecendo comigo... Será que agora tudo daria certo?
-É lindo Fred.
-Maya me ajudou a decorar, antes dela vir morar comigo isso era horrível. Leve Mari para meu quarto e deixe ela dormir la, estou com fome vou fazer algo para comermos.


Ela levou Mari e eu preparei o café da manha para nós, já que ainda era umas dez horas. Comemos em silencio também, eu sabia que ela estava com medo, o que fizemos é loucura. Dei algum tempo para ela, e a verdade é que eu também precisava desse tempo.
Depois de lavar a Louça do café senti que era a hora de conversarmos.


-Ei, Ali?
-Fred, eu estou com medo.
-Ali, não chora não.
-Se meu pai descobrir que eu estou aqui com você ele tira a Mari de mim. Fred, ela é minha bebê.
-Ele não pode tirar sua filha de você!


-Não existe nada no mundo que meu pai não possa fazer. Quando descobri que estava Gravida de Mari tentei fugir, mas não consegui. Ele disse que eu poderia ter a bebê e que ele cobriria os gastos, contato que pudesse criar-la. Eu não tinha opção. Então, ele propôs que se eu me casasse poderia ficar com ela e a criar, bem, cá estou eu.
Foi então que comecei a ligar os pontos.
-Ali, quem é o pai dela?

Meu celular tocou e era Maya, droga, havia me esquecido de avisar ela.
-Oi May...
-Eu vou te matar! Fred, você é louco! Eu sei que Ali esta com você. O marido dela esta desesperado, as câmeras filmaram ela saindo do quarto e entrando no seu carro, Fred, não dou muito tempo para ele encontrar você! Onde você esta?
-Em casa May, eu vou embora só preciso de tempo.

 -Vou para casa a noite, precisamos resolver essa situação. Vocês estão bem?
-Estamos, venha com cuidado para casa. Te amo may.
-Também amo você Fred, por favor se cuida.
Desliguei o celular sentindo tantas coisas que não conseguia me concentrar. Precisávamos ir embora, mas eu precisava saber...

-Ali, pode me responder?
-Fred, me perdoa.
Então ela caiu em um choro compulsivo e sem fim, não recuei;


-Sou eu?
-Eu... eu queria te contar, mas você tinha ido embora e eu te odiava por me deixar...
Nao ouvi mais nada, apenas chorei também.. Eu era pai, a quase três anos, e não sabia. Mari era minha filha, minha filha e de Alice. Isso era assustador.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Capitulo VII



“Você esta bêbado!"
"Shiu! Você também esta Alice!"
Nos estávamos no meu quarto e riamos do nosso mal estado;
"Não acredito que estamos fazendo isso!"
"O que? Fazendo o que? Rindo de como somos ridículos bêbados?"
Ela gargalhou e olhou fundo nos meus olhos;
"Fred, senti saudades, todos os dias."
"Ali, vamos embora comigo, eu imploro."


Ela não me disse nada, não tinha resposta. Eu não aguentei, acabe a beijando.
"Eu acabei de me casar, Fred..."
"O que seria do mundo hoje em dia sem o divorcio, não é mesmo?"
Mesmo que eu quisesse não conseguiria mais a soltar, fazia tanto tempo, perdi a conta de quantas vezes imaginei que voltaríamos a ficar juntos.


Estávamos deitados juntos na cama, quando ela falou o que eu esperei anos para ouvir;
"Eu quero fugir com você Fred. Eu preciso de alguém que cuide de mim, eu preciso de amor, eu realmente preciso de você."
Então meu estomago deu um nó, e a famosa luz branca me acordou
 Acordei soado, tremendo, eu só podia estar louco, era bom de mais para ser verdade!


Olhei meu celular e havia uma mensagem de bela,
“Ei sumido, Alice embarca para lua de mel domingo de manha e vou a acompanhar até o aeroporto, passo ai meio dia depois de deixar ela la para passar um tempo com você! Tenha uma boa noite!”
Ela havia mandado a mensagem a algumas horas, eram apenas seis da manha ainda. Eu só sabia que precisava ir atras de Alice, não podia correr o risco de perder tudo novamente.


Corri para a recepção da pousada na tentativa de encontrar o quarto em que ela estava ficando;
-Alice, a noiva, por favor você precisa me dizer em que quarto ela esta!
-Senhor, é informação confidencial.
-Moça, você não esta entendendo minha situação!
-Fred?


-Adalya! Eu preciso de ajuda, cadê a Alice?
-Fred, juro que eu gosto muito de você, mas as vezes eu tenho vontade de te matar.
-Olha, eu sei ta bom, eu sou uma pessoa horrível, Adalya, se ela for embora... Talvez nunca mais eu veja ela.
-Você é um saco.
-Por favor, Adalya!
-Suite 34, é o quarto da Mari, ela deve ter dormido la com ela.


Eu corri. Corri muito. Não sabia porque estava correndo mas corri mesmo assim. Era agora ou nunca, ou nos iriamos embora agora, juntos, ou eu nunca mais a veria.
Não bati na porta do quarto apenas entrei, e ela estava lá. Ela dormia na cama ao lado do berço da bebê, mas acordou assim que a porta do quartou abriu, o que era estranho já que Alice sempre teve o sono muito pesado.
-O que você...
-Vamos embora. Agora.
Ela ficou pasma.
-Eu lembro Ali, eu lembro de tudo, ou pelo menos boa parte, vamos embora, eu sei que você quer.


-Você precisa saber que não estou mais sozinha.
-Pega sua bebê, vamos embora antes que alguém acorde.
-Para onde vamos?
-Vamos para o meu apartamento, ajeitamos as coisas e achamos outro lugar, onde ninguém ache a gente até conseguirmos resolver tudo.


-Isso é loucura.
-Você não pode desistir de novo.
-Precisamos ser rápidos. Bela e Adalya vem me ajudar com as melas as nove horas.
-Precisamos ir embora antes das oito.
Então alguém bateu na porta.
-Sou eu, Adalya.
-Entra amiga.


-Adalya, me ajuda.
-Se eu ganhasse um real cada vez que algum de vocês dois diz essa frase, eu nunca precisaria trabalhar! O que você vão fazer?
-Vamos embora, agora. Vá até o quarto de James e pegue minhas malas, fale que você vai arrumar elas no seu quarto para quando nos formos viajar. Vou arrumar as coisas da Mari.
-Vou pegar minhas malas e o carro que esta no estacionamento em meia hora vou estar de volta e vamos embora.
-Tenho direito de opinião nisso tudo?
-Claro, o que você acha?


-Alice, você sabe a consequência de seus atos? Fred, e a Maya?
-Ligo para ela no caminho e digo que fui pra casa mais cedo.
-Adalya, eu preciso ser feliz.


Bom, apos Adalya deixar algumas lagrimas caírem fui arrumar minhas malas, não havia muita coisa fora delas e logo já estavam no carro e meu carro estava em frente a pousada, vi Alice vindo com Mari no colo e Adalya trazia suas malas. Estava acontecendo, finalmente.
-James acordou, vocês precisam ir embora agora.
Colocamos as malas no carro e mari no banco de trás.
-Ali, tem certeza?
-Fred, a três anos e meio eu recusei ir embora com você e me arrependi profundamente. Vamos logo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Capitulo VI


"Fred, eu estou com medo. E se ela estiver em casa e não gostar de mim?"
"Ali, é impossível alguém não gostar de você, vem, pode entrar, minha mãe faz hora extra de sábados."
Ela entrou, passos leves e andava lentamente, como se esperasse que minha mãe aparecesse e a expulsasse dali.
Caminhei até meu quarto e ela me acompanhou, com medo claro, ela não negava sua inocência.


"Pode se sentar na cama, quer assistir que tipo de filme? Terror, suspense..."
"Não tem alguma comedia? Um filme bem intrigante..."
Não me contive, acima de tudo era um acontecimento engraçado.
"Ei, Ali, você já dormiu fora de casa?"


"O que? Cala boca Fred, claro que já... Passei muitas noites na casa de Adalya."
"Mas nunca na casa de um menino, estou certo?"
"Bom..."
Eu já havia estado com outras meninas, mas Ali era diferente para mim.
"Venha, vamos nos deitar e assistir um filme, e se você quiser deixo você dormir aqui e durmo na sala."


Ela sorriu e me abraçou como uma criança;
"Você é o melhor namorado do mundo."
Namorado? Meu estomago ficou frio e o flash de claridade veio a mim.


Minha cabeça doía, muito. Meu corpo também. Agora meu me lembrava o quanto era ruim tomar um porre, ainda era sábado e só iriamos embora domingo de noite, e sinceramente eu não estava pronto para ouvir as mil perguntas de Maya e nem aguentar Bela com seus planos de viver o momento pela cidade, minha cabeça doía muito para isso.
Olhei meu celular e havia uma mensagem de Bela;
“Fred, você sumiu ontem! Bem estou indo com Maya para o centro da cidade, voltamos a noite, se quiser me ligue e te passo nossa localização, beijinhos <3”
Agradeci a deus por elas não passarem o dia lá comigo, assim poderia passar o dia todo no quarto dormindo e acordando varias e varias vezes.
A questão é que mais ou menos as 3 da tarde comecei a me sentir bem entediado na verdade, então precisei sair do quarto para dar uma caminhada.


Foi caminhando pela pousada que vi Alice. Realmente alguém estava brincando comigo. Mas não a vi sozinha, seu marido estava junto a ela e eles pareciam discutir. Parei atras da parede para poder ouvir a conversa deles.
-James, você sabe bem que você não tem autoridade alguma sobre mim não sabe? Eu saio quando quiser e vou para onde quiser.
-Vamos ver se seu pai vai gostar de saber disso Alice. O combinado é, somos marido e mulher, e você mantem a guarda da Mari, não é isso que você quer? Então melhor andar na linha comigo.


-Ah, James, como você é nojento!
-Repita isso olhando na minha cara!
Ele disse aumentando o tom de voz e indo para cima de Alice, foi quando percebi que por mais que a raiva que sentia dela nesse momento tomasse conta de mim, eu não aguentaria ficar la sem fazer nada... Era Ali, querendo eu ou não, era minha Ali.


-Alice! Te procurei o dia todo!
-Fred? Esta tudo bem?
-Na verdade não, eu estou meio mal do estomago e eu não faço ideia de onde tem uma farmácia aqui, você se incomoda de me acompanhar até uma? Você não se incomoda que ela vá comigo, não é James?


-Não, certamente não.
-Vamos então, antes que eu ponha os bofes para fora.


Caminhamos um pouco pela pousada ate que estivéssemos longe de James, Alice me levou ate um lugar meio escondido na pousada, e então começou a falar
-Fred, você é louco?
-Alice, ele estava ficando nervoso, achei que ele iria te bater ou algo assim.
-Você precisa mesmo de algum remédio? Bebeu muito ontem.
-Não, eu estou bem, a dor de cabeça já melhorou.


Foi quando algo inesperado aconteceu, ela se aproximou de mim, um pouco de mais, me deixando um pouco tonto;
-Ontem não podia ter acontecido Fred, eu demorei tanto tempo para não sentir mais sua falta, para não precisar mais de você, e agora, foi tudo em vão.
Eu não tinha palavras, ate porque não sabia o que havia acontecido.
-Muitas coisas acontecerem nos três anos e meio que passamos longe, o que você precisa saber agora é que não foram anos bons, foram péssimos. Fred, eu preciso mesmo que...
Ela não podia continuar, eu precisava saber;
-Alice, não, espera, eu... O que houve ontem a noite?


-Você não? Ah, eu já devia imaginar. Quer saber Fred, esqueça tudo que eu disse.
-Alice, o que esta havendo?
-Você não mudou nada, não acredito... Quer saber, tenha uma boa estadia Fred, vou ver como minha filha esta.


Então ela saiu andando e eu fiquei lá, em transe, pensando qual o grande pecado que eu havia cometido para passar por tudo isso, e sinceramente, eu não sei qual foi.
Voltei para o quarto e dormi novamente, eu nunca devia ter saído dele.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Capitulo V


Todos temos uma paixão adolescente. Mas, existem algumas pessoas que são fechadas para sentimentos como o amor, eu fui uma dessas pessoas. Não cresci em um ambiente que podia se considerar normal, cresci com humildade, e apenas depois de uns 15 anos melhorei minha condição de vida graças a meu tio que havia falecido e deixando uma herança generosa para minha mãe.


Com esse dinheiro saímos da cidade pequena e nos mudamos para uma cidade grande, comecei em uma escola particular, e foi quando percebi que eu não me encaixava naquele ambiente.
Eu apenas ficava lá, assistia as aulas, fazia os deveres, garantia boas notas, tentava me manter na minha, mas isso não era fácil, já que em toda a escola particular existem os “meninos malvados”. Bem, não achem que esses meninos não gostavam de mim, o problema é que eles gostavam de mais.


No meio do meu segundo ano, eu estava mais enturmado com esses meninos do que eu gostaria. Bem, para quem não sabe, cidade grande funciona assim; você começa com as más companhias, depois começa a frequentar locais ruins com as más companhias, depois disso, começa a se acostumar com isso e isso se torna uma rotina.
E quando você for ver, tudo que sua mãe te ensinou que era errado, você esta fazendo. E você faz sabendo que não é certo mas alguma coisa dentro de você te obriga a fazer, então você entra num ciclo vicioso.


Mas bem, não foi nessa parte da historia que entrou Alice. Essa parte da historia é só o começo da minha existência. Nos nascemos um ser vazio, nos construirmos ao longo dos anos, e só no final da vida sabemos quem somos, somos feitos de mudanças e escolhas, boas ou ruins. Infelizmente minhas escolhas ruins me fizeram ser o que eu sou hoje.
A melancolia me atingia em meio a meus pensamentos, coisa que eu queria evitar, não queria me arriscar a cair em um mar de lagrimas como já havia acontecido antes. Foi então que me levantei e me troquei, não podia simplesmente ficar sentindo dó me mim mesmo.


Havia um bar, nem longe nem perto da pousada, a distancia ideal para que eu fosse a pé mas que ninguém imaginasse que estava ali. Uma dose, duas doses, três doses... Quanto tempo fazia que eu não bebia? Dois anos?


-Melhor o senhor ir com calma, esta dirigindo?
-Não estou dirigindo, acabo de ter um dos piores dias da minha vida.
-Mulher?
-A culpa é sempre delas, pode me servir mais uma dose?
O garçom não perdeu tempo e preparou outro copo, foi quando alguém se sentou do meu lado. De inicio não dei importância, não estava afim de conversar, apenas queria ficar sozinho, mas quando acidentalmente olhei para o lado não acreditei. Havia algum poder superior a mim brincando comigo.


-Só pode ser brincadeira.
-Quem me dera fosse Fred, acha que eu imaginava isso para o dia do meu casamento?
-Você não é a noiva? O que faz em um bar as 3 da manhã sem seu marido?
-Não conseguia dormir. Não que isso te interesse, claro.
-Alice, porque você esta aqui? Não é possível que seja o único bar da cidade... Você nem bebia quando te conhecia.


-Eu mudei, quando você encara a vida e não foge, ela te faz crescer.
Ela falava com raiva na voz, desprezo, e alguma coisa me dizia que alguma coisa muito ruim havia acontecido depois que fui embora. Ao mesmo tempo que queria saber o que havia acontecido, nao queria. Eu também sofri, sim eu sofri muito, mas eu superei, ou pelo menos estou superando a cada dia que passa.
-Você não tem muita moral para falar de coragem Alice, me lembro que tudo que seu pai dizia para você era lei, você nunca se defendeu não é mesmo?


-Sinceramente Fred, você foi embora, não queira discutir assuntos que não sabe!
Bebi mais alguns copos de bebida tentando ao máximo ignorar o fato de Alice estar do meu lado, e não vou negar que depois do decimo quinto copo não consigo me lembrar de mais nada.